terça-feira,18 de agosto, 2020

Entretanto, cá pelo burgo, continua a sem vergonha nacional, a propósito da contratação do arguido, das justificações bacocas da ministra (o "fui descontextualizada" é um clássico sacudir água do capote apenas para turvar a vista dos idiotas e ingénuos e pretender ficar bem na fotografia) e respetivo aval do chefe do governo com o orwelliano "polémicas artificiais".

Já agora, descontextualizar é também descrever o chapinhar de um septuagenário como "salvamento"....


Deixei de ler (e ver) o Correio da Manhã. Sem prejuízo do jornalismo de qualidade que por ali também se faz, tem de se traçar um limite algures: não me interessa saber quantas crianças andam a morrer afogadas em piscinas ou queimadas acidentalmente com água a ferver ou "grandes investigações" que enchem chouriços durante horas em horário nobre (ou qualquer outro) sobre coisa nenhuma. 

Liberdade de expressão, informação e tal, mas nem toda a notícia é notícia... Terá o seu público, a partir de agora menos um. 


Acabei de ler a última diatribe de Bernard-Henri Lévy, Este Vírus que nos Enlouquece. Como tudo, tem coisas boas, coisas menos boas e coisas assim assim.

Na primeira metade (hesito em referir-me ao trabalho em causa como livro, são meia dúzia de páginas que se escoam numa hora) anda ali um bocado às aranhas a tentar martelar citações de filósofos no que respeita a confinamento, liberdades individuais, a essência do social, etc.. Enfim, coisas de filósofo.

Depois começa a chegar às partes boas: a natureza e dimensão da pandemia, a "bondade" das reações individuais e institucionais ao fenómeno, o exagero de umas~(sobretudo através das redes "associais") e a subtileza de outras no minar da vivência democrática e o crescente avançar das ditaduras e regimes autoritários, também mais ou menos subtil, num mundo e, em particular, sobre uma Europa presa por arames.

Acabei por gostar, pareceu-me uma visão lúcida e revoltada perante o desmoronamento social a que (nem sempre) assistimos nestes tempos em que a pandemia assumiu (demos-lhe?) protagonismo e tudo o mais vai acontecendo na sombra.


More from ego