ONE BATTLE AFTER ANOTHER. Paul Thomas Anderson. Estados Unidos, 2025
October 15, 2025•435 words
O filme de 2025 com Leonardo DiCaprio que movimentou os jornais norte-americanos com expectativas para o Oscar é “Uma Batalha Após a Outra”, uma produção ousada, com seus longos 160 minutos, que já se previa que poderiam ser encurtados.
O arco do personagem de Leo/Bob é muito bom. É possível ver o personagem sem saber ao certo se ele é o líder dos ataques ou apenas alguém que segue fielmente sua parceira. É interessante observar as ações do grupo e as faíscas de revolução sendo lançadas a cada gota de sangue que cai.
Teyana Taylor está maravilhosa em uma personagem cheia de atitude, confiança e autenticidade. No entanto, suas motivações são pouco exploradas. Gostaria de ver mais de seus conflitos internos, a história de sua família e as batalhas que travou ao longo da vida.
Anos se passam e vemos então Bob em uma versão marcada por um misto de neurose, obsessão e frustração — aspectos muito bem apresentados. Ele é o pai solteiro que faz de tudo para manter a filha protegida e carrega ainda o peso de ter sido abandonado pela esposa. O trabalho de maquiagem no envelhecimento dos personagens está perfeito!
O que começa a desequilibrar é a motivação do Coronel Steven para ir atrás de Willa, filha de Bob. Claramente, o personagem é uma crítica ao atual presidente dos Estados Unidos — e Sean Penn faz isso muito bem. Ele é o típico homem padrão, com uma autoestima inabalável. Um líder militar que há anos “protege” os Estados Unidos dos imigrantes e que verbaliza seu gosto por pessoas muito específicas. Seria pouco provável que, durante todos esses anos, ele tivesse se envolvido apenas com Perfidia. Ainda que essa condição fosse aceita, o circo que o Coronel monta é totalmente desproporcional.
A cúpula dos natalinos é bem pensada, embora eu preferisse vê-los retratados de maneira mais empresarial, mostrando que, no fundo, todos fazem parte do mesmo sistema e buscam criar uma hegemonia que os torne superiores.
Benicio del Toro, mesmo com pouco tempo de tela, está impecável. Todas as suas cenas são boas e divertidas. Ele traz equilíbrio em meio ao caos que Bob não consegue administrar.
O que desagrada no filme? Leo poderia ter tido mais tempo de tela, suas atuações não verbais são excelentes. O modo como o arco de cada personagem é desenvolvido é confuso e, muitas vezes, exagerado em elementos. O filme é verborrágico além da conta e não deixa o espectador respirar para vivenciar a história. O excesso de informações e elementos visuais também causa desconforto, tornando tudo parecido com uma inspiração malfeita do Cirque du Soleil.