THE SOCIAL NETWORK. David Fincher. Estados Unidos, 2010
November 4, 2025•445 words
Logo quando o filme estreou no cinema, lembro de tê-lo visto e de ter saído da sala com um sentimento satisfatório. Afinal, estava sendo contada ali a história da rede social que mudou completamente a forma como o ser humano interage entre si e, futuramente, como as marcas viriam a se relacionar com a população.
É muito curioso ver o debate entre Mark e Eduardo sobre como deveria ser a monetização do site. Mesmo em 2010, quando o Facebook já tinha milhões de usuários, ainda não se tinha noção do que viria a se tornar a forma de fazer muito dinheiro na web.
O filme foi listado entre os 100 melhores longas do século XXI, segundo o New York Times, e suas falas são citadas incansavelmente até hoje. Me livrei, momentaneamente, do ranço pessoal em relação a Mark Zuckerberg e mergulhei na história.
Através da obra, é possível ver o quão seletivas são as pessoas que estão em Harvard, não apenas pelo intelecto, mas também pelo poder de influência e pelos recursos financeiros. Para estar lá, não basta ser um bom aluno e ter dinheiro: é preciso fazer algo além, ter um projeto social, ser atleta, ser influente na sociedade ou saber transitar bem nos meios em que essas pessoas circulam.
Por isso, um dos pontos fortes, para mim, é como o ator Jesse Adam Eisenberg conseguiu construir um personagem por quem não se sente pena, apesar de representar o próprio Mark. Ele é um homem hétero, com certos recursos financeiros (não necessariamente em abundância), extremamente inteligente, arrogante, confuso e até mesmo inocente. Eisenberg faz com que o espectador mergulhe nessa confusão junto com ele, sem saber ao certo onde estão os limites da ética, da moral e do sucesso.
Sendo um filme hollywoodiano da Columbia Pictures, ele se disfarça muito bem como uma obra com bastante autonomia. Os clichês norte-americanos são sutis aqui. Claro que há um apelo pelas fraternidades e pelos clubes sociais, mas isso faz parte da trama que reforça a ideia de que o que é restrito e seleto é melhor.
Consegui enxergar uma camada quase utópica no protagonista, que deseja montar algo completamente anti-sistema, quase um impulso anarquista de interação. Contudo, vale lembrar que ele ainda está no meio do sistema de Harvard e das grandes elites dominantes. Não é factível romper com essa classe.
A Rede Social é um filme interessante, que tenta fugir dos clichês básicos de Hollywood. Consegue em alguns momentos, mas, em outros, ainda fica clara a necessidade de explicar o que está sendo feito para o espectador distraído.
The Social Network está disponível para aluguel e compra na Apple TV.