quinta-feira, 1 de jan. de 2026
January 11, 2026•498 words
Primeiro de Janeiro de 2026 - 01/01/2026
15h31
Parece que sabemos exatamente a data em que estamos. Risos.
Olhando para a natureza, parece que os demais seres não se importam muito com que dia ou que horas são; tenho a impressão de que eles mais sentem as condições do meio e, assim, se integram àquele período específico. Digo isso desde o modo como uma planta se desenvolve a depender do período do ano em que foi plantada, até a migração das aves ou mesmo as cigarras cantando em dias quentes de verão.
Ainda assim, temos essa necessidade de marcar os ciclos, as datas especiais e até o dia de pagamento, para que então tenhamos uma sensação de melhor entendimento do que aconteceu naquele ciclo.
Dito isso, parece-me que é então o momento de pensar no que aconteceu nesse ciclo imaginário que convencionamos chamar de ano.
Há 8.760 horas, eu estava provavelmente em desespero, achando que iria parar de respirar a qualquer momento. O castelo que achava ter construído para a família real começava a se despencar. Diferente do castelo anterior, que apenas foi abandonado, mas guardado com carinho, esse parecia a Daenerys Targaryen com seu dragão incendiando King’s Landing. Sabemos que pouco sobrou daquela cidade, assim como o castelo e o trono foram todos destruídos.
Inocentes aqueles que querem tentar reconstruir um castelo que foi construído apenas com o imaginário de nossas fantasias. Aquele castelo não existia, e por que, mesmo assim, tentar colocá-lo de pé com mais fantasias e desejos do impossível?
Vamos viajar e construir novas memórias para nosso palácio de algodão-doce. Fotos lindas, cenários paradisíacos, sorrisos que qualquer comercial de margarina gostaria de exibir. Vale sempre conferir se o bordado lindo na camisa está com o verso tão bem feito e cuidado quanto a frente. Às vezes, nem é um bordado: é um adesivo colado e, no interior, nem tem nada.
Mania de ficar nessa dialética de ter tudo ou nada. Sim. Às vezes é mais fácil para ilustrar, mas sabemos que isso tudo também é uma grande simplificação de uma história.
Elis já dizia sobre “as águas de março”, que, além de fecharem o verão e alagarem o Rio, também inundaram o castelo de açúcar. Restavam pouquíssimos grãos inteiros. Só que, no transbordo, acabou indo embora outras coisas junto com aquela fantasia. Parecia que a Rainha de Copas tinha destruído todo o reino, todas as plantas e outros seres vivos.
No meio das cinzas, um vento soprava aos poucos e levantava a poeira. Era uma loucura, mas, ainda assim, foi abrindo espaço para entrar um raio de sol na terra, que ainda estava com um pouquinho de fertilidade. Junto com o vento que ia limpando, alguns pássaros em migração traziam sementes no bico e, eventualmente, caía uma ou duas no solo.
Felizmente, na natureza tudo se transforma e se co-cria.
Assim como a flor de lótus nasce no meio do lodo, de onde está escuro e turvo, podemos renascer de nossas sombras infinitas vezes.