SIRĀT. Oliver Laxe. Espanha; França, 2026

Sirāt mostra que o cinema pode perder audiência frente ao streaming, porém nunca será possível ter a mesma sensação assistindo a alguns filmes em casa. Vá ao cinema, com a maior tela possível, o melhor sistema de som; sente nas primeiras cadeiras, deixe que sua visão seja completamente preenchida pela tela.

Viaje pelas estradas do Marrocos e pela mente de seus personagens.

A primeira sequência do filme é absolutamente cinema. Poucas falas, muito dinamismo e um mistério se formando. Na verdade, o filme todo tem poucas falas, mas muito som. E é aqui que celebramos o cinema!
É impossível fazer uma resenha completa sobre o filme, dada a quantidade de metalinguagem e analogias que a obra faz. Por isso, nem tente adivinhar todas as perguntas que o filme abre, não temos como entender perfeitamente o que está acontecendo fora do contexto de nossos protagonistas, na verdade, até com eles são muitas camadas para acessar.

A maior parte dos atores escalados não é profissional ou não tem experiência, mas é imperceptível essa ausência diante das câmeras, talvez porque eles estejam realmente vivendo aquele momento, como já é a rotina deles mesmos.

Não conhecia o trabalho do Oliver Laxe, mas é possível ver que o resultado alcançado é graças ao belíssimo trabalho em conjunto de toda a equipe, destacando: roteiro, montagem, som, pós-produção e direção.
O filme é marcado por seus planos abertos e grandiosos, mas mostra que sabe fazer cenas fechadas e com muita agonia. Destaque também para Pedro Almodóvar, que fez parte da equipe de produção.

O ponto de virada do segundo para o terceiro ato é marcado por uma coragem enorme do filme. Por mais que o espectador saiba que algo vai acontecer, é impensável que o roteiro deixaria aquilo vir à vida. Nesse momento, as cadeiras do cinema chegam a ficar escorregadias com as lágrimas de desespero que saltam dos olhos.

Sirāt é muito mais que uma obra literal; é sobre a fuga proposital do sistema, é sobre criar um estilo de vida contracultural, underground, sujo e real. Por isso, tenho certeza de que o filme mereceria todos os prêmios aos quais foi indicado. No entanto, a campanha dele é bem aquém da de seus concorrentes e, na verdade, acho que eles nem fazem questão de ganhar qualquer prêmio.

Com certeza, daqui a uns 10 anos, vão falar: "Você lembra daquele filme com os malucos dançando no deserto?" E a resposta será: "Sim."


Sirāt está disponível em algumas salas de cinema do Brasil em Março de 2026.

The Movie Database (TMDB)

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