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Lipe, o rebelde

Só um cara vivendo uma vida normal que quer um lugar para expressar suas idéias. Busco apenas viver em paz, sempre valorizando a liberdade e a privacidade.

O grande câncer nos relacionamentos

Saindo um pouco da tecnologia, quero falar sobre relacionamentos. Sendo alguém que valoriza muito a privacidade e a liberdade individual, uma coisa que observo na maioria dos relacionamentos (e no meu também) é a dificuldade em aceitar a liberdade do outro. Se você quer uma receita fácil para destruir seu relacionamento, restrinja as liberdades do seu companheiro ou companheira.

Tradicionalmente os relacionamentos amorosos são monogâmicos. As pessoas esperam que seus companheiros não se relacionem afetivamente (e fisicamente) com outras pessoas. Ok, compreensível. Todos sabemos, quando entramos num relacionamento monogâmico, que essa é a regra básica do jogo. A coisa fica problemática quando uma pessoa começa a criar restrições para evitar que a outra pessoa "caia em tentação". Esse é um sintoma de um problema muito mais grave e que tem enormes chances de levar o relacionamento para o buraco: a falta de confiança na outra pessoa, e em si mesmo.

Vamos raciocinar juntos: você não abre a porta para estranhos. Você não dá seu telefone ou e-mail pra qualquer um que pede por qualquer motivo. Você não passa seus documentos ou dados de cartão de crédito para qualquer um. Se você faz alguma dessas coisas, pare de ler e procure ajuda. Você não faz essas coisas porque você não confia nessas pessoas o suficiente para se sentir seguro em deixar que entrem na sua casa ou que saibam informações pessoais suas. Voltando aos relacionamentos, se você não acredita que a outra pessoa vá respeitar as regras do relacionamento, você não confia nessa pessoa. Assim, por que você confia em trazer essa pessoa para sua vida? Por que insistir nisso? Conviver com alguém em quem você não confia vai fazer você viver em estado de alerta, de desconfiança. Viver buscando sinais de infidelidade em tudo que a outra pessoa faz ou diz. Eu imagino o quanto deve ser desgastante para alguém viver assim.

Também é muito cansativo viver com alguém que não confia em você e que sente que precisa monitorar cada passo que você dá, cada conversa que você tem, cada coisa que você diz ou faz. E ter que explicar detalhes irrelevantes do assunto só pra "provar sua inocência" quando alguma coisa na conversa acende um alerta na cabeça do vigia é muito chato. E uma das principais consequências de estar em um relacionamento assim é o distanciamento das amizades. Não porque não gostam mais de você, mas porque você não está disposto a submeter cada interação com os amigos à inquisição. Assim, mesmo sem perceber, você acaba se distanciando dos amigos, e quando percebe já está isolado.

Independente de qual dos dois você seja, com o tempo esse desgaste vai se acumulando e as coisas vão ficando mais difíceis de lidar. Aumenta a irritação com a outra pessoa, qualquer briga se torna algo maior, as reações se tornam mais desproporcionais, e tudo vira motivo de briga. Algumas pessoas acabam aguentando mais que outras, mas uma hora o pote enche e transborda pra todo mundo.

Tudo isso pode ser evitado se as pessoas entenderem que todos são livres para fazer suas escolhas. Quando a pessoa está com alguém, deve ser porque ela quer. Se não for por esse motivo, esse relacionamento está condenado a acabar, e é melhor que acabe. As pessoas devem ter liberdade para serem quem são. Se você não pode ser você mesmo com a pessoa com quem divide a sua vida, pode ser uma boa ideia se perguntar por quanto tempo você quer continuar vivendo desse jeito.

Deixando o futuro para trás: voltando aos favoritos

Na busca por aumentar a privacidade e reduzir a dependência e os impactos que anos de uso de tecnologia me causaram, tenho adotado medidas como reorganizar o uso de emails e abandonar redes sociais. E é sobre essa parte que quero falar agora.

A última rede social que eu ainda usava (sem contar o WhatsApp, que foi o último a morrer) era o Twitter. Até tentei fazer um uso saudável. O plano era seguir perfis de notícias e perfis relacionados aos meus interesses, pra ter um conteúdo menor e mais relevante. Só que uma rede social não liga para o seu plano. Ela traz o que considero ser o câncer da internet: os comentários. Ah, sim, e os anúncios. Mas os comentários são piores, e eles garantem o fracasso desse plano.

Analisando hoje o plano de seguir perfis de notícias pra me manter informado, vejo que o primeiro problema é o bombardeio de notícias. A maioria não é do meu interesse, e ainda assim sou levado a ler algumas por conta do segundo (e maior) problema: os comentários. E como as redes sociais não estimulam a discussão racional e honesta, o que mais vemos são reações piadinhas (tem humorista demais no Twitter), sabidões criticando outros comentários (os especialistas em todo assunto), ofensas, ignorância (honesta e desonesta), e todo tipo de coisa que te faz acreditar que o ser humano não vale a pena.

Então você lê um comentário que te faz sentir uma coceira na mão e uma necessidade de responder. Você não se contém e responde. Parabéns, você entrou na piscina de merda. Provavelmente perdeu um tempo desgraçado lendo os comentários, pensando numa resposta, e agora vai perder mais uma fração da sua vida vendo quantos likes você consegue com o seu comentário. Se tiver uma réplica isso pode levar horas do seu dia. E qual vai ser o saldo disso? Saldo negativo. Ninguém vai mudar de opinião. Ninguém vai resolver o problema discutido. Ninguém vai sair disso como um ser humano melhor. E enquanto você pensava na resposta e discutia, várias notícias surgiram, e você vai acabar entrando numa nova piscina de merda enquanto tenta acompanhar.

Para os perfis relacionados ao meu interesse, notei que muito conteúdo postado não é interessante, e boa parte nem tem relação com o assunto. Além, claro, de existir o mesmo problema dos comentários que acabei de explicar.

Ok, problema explicado. Mas o que fiz a respeito? Bem, a primeira coisa foi a mais óbvia possível: desativar minha conta do Twitter e desinstalar o aplicativo. Posso dizer que desde então não senti a necessidade de dar uma resposta ácida ou fazer algum comentário sarcástico para um desconhecido.

Para me informar, voltei a usar uma ferramenta que estava abandonada: os favoritos do navegador. Deixei sites de notícias sérios (mais de um porque gosto de ter várias fontes) e sites que publicam conteúdo que me interessa nos favoritos do navegador. Mantenho backup regular dos favoritos. Quando quero me atualizar, normalmente pela manhã e em algum momento da tarde, simplesmente entro no site, vejo o que tem, leio as matérias que me interessam e, mais importante de tudo, tiro minhas conclusões com base na matéria. Senti falta disso. As redes sociais não facilitam muito a vida da gente nesse ponto. Ou talvez facilitem demais, ao ponto de nos tirar a necessidade de pensar, de raciocinar, de refletir e de elaborar opiniões.

Parece que estou em 2001. Estou aqui usando email e SMS como forma de comunicação, acessando sites de notícias pra ler e não fazendo a menor ideia do que pessoas que eu não conheço estão pensando. E feliz com isso.

Saí do WhatsApp. Continuo vivo.

Eu abandonei o WhatsApp. Eu finalmente fiz isso. Na verdade já tem algumas semanas que eu fiz isso, e não avisei ninguém. Ok, acho que um pouco de contexto vai ajudar.

Antes de mais nada, eu não gosto do Facebook. Não gosto do modelo de negócio, onde os usuários não passam de um gado visualizador de anúncios. Não gosto de como essas redes são feitas pra prender o usuário pelo maior tempo possível e fazer as pessoas se sentirem dependentes deles. Essas características me fizeram abandonar as redes sociais, e o WhatsApp era o que ainda restava por necessidade (e um pouco pela conveniência, admito).

Eu estava motivado a parar de vez com o WhatsApp desde a lambança da mudança nos termos em 2020 que fez todo mundo procurar alternativas. Eu já adotei o Signal como substituto e consegui fazer alguns contatos aderirem, mas ninguém migrou. Nenhuma surpresa nisso. Mas a necessidade do WhatsApp para comunicação no trabalho ainda me impedia de sair de vez.

No fim de Outubro as coisas mudaram e o WhatsApp perdeu esse último fio que me segurava. Desinstalei o aplicativo, finalmente. Não excluí a conta e não avisei ninguém além da minha esposa, por motivos óbvios. Eu me libertei!

Uma das primeiras coisas que eu notei foi: ninguém liga. Ninguém me procurou. As pessoas nem perceberam que eu não estou mais no WhatsApp. E isso é bom. A gente se sente incomunicável quando o WhatsApp fica fora do ar e acha que quando voltar vão chegar 600 mensagens de uma vez. Aí ele volta e não chega nada. Você nem percebe que voltou. Bem, é assim quando você sai.

Outra coisa que notei é que muita gente não se lembra que existem outras formas de se comunicar. Na semana passada foi meu aniversário, e não recebi nenhuma mensagem de contatos que não estão no Signal, exceto da minha avó que nunca esquece de me ligar no meu aniversário e não usa internet. Outras pessoas chamaram minha esposa no WhatsApp mandando os parabéns para mim. Não me importo com isso, não precisam fazer isso pra eu saber que gostam de mim e que me desejam coisas boas. Mas faz parecer que, se não está no WhatsApp, está fora de alcance.

Por fim, essa mudança me motivou a implementar outras que eu tinha vontade, como reorganizar minhas contas de email, cloud storage, tudo pra usar serviços mais focados em privacidade e não ficar alimentando perfis pra me bombardearem com ofertas, anúncios e tentando adivinhar do que eu gosto e onde eu quero enfiar dinheiro. Vou detalher isso num próximo post.

E aí, tem coragem de largar essa droga de WhatsApp?

Um blog pra chamar de meu

Primeiro post aqui no blog e quero ser rápido. Quero falar do motivo de ter começado esse blog e o que espero dele. É só um aquecimento.

Eu comecei esse blog porque senti a necessidade de ter um lugar para colocar os pensamentos para fora, dar uma limpada na mente. Além disso, eu quero melhorar a minha escrita. Eu gosto de escrever, mas normalmente não tenho hábito de escrever nada, e sei que isso me ajudaria em vários pontos. Também acho que escrever é uma arte fina, calma, inteligente. Vejo muita coisa positiva em desenvolver essa habilidade e criar o hábito.

O que eu espero desse blog? Sinceramente, eu tenho pouca expectativa em termos de visitantes e interações. Acho que poucos vão ler o que eu postar aqui, o que me deixa confortável já que minha escrita não será julgada por muita gente. Também espero que ele me ajude a me comunicar melhor, a organizar melhor o raciocínio, e também cause algum impacto positivo no hábito da leitura.

E o que o leitor pode esperar do blog? Eu não tenho compromisso com nenhum tópico, então as coisas serão meio aleatórias por aqui. Vou falar de coisas do meu interesse, o que é algo que varia bastante com o tempo. Mas eu posso prometer tentar deixar os textos amigáveis, com boa linguagem, com um tom agradável, talvez divertido de vez em quando.

E é isso. Aceito feedbacks!

Paz!