Tipos de vacinas
March 3, 2021•1,609 words
tipos de vacinas
- inativadas
- vírus vivo atenuado
- proteína recombinante
- vetores
- replicação-incompetente
- replicação-competente
- vírus inativado
- DNA
- RNA
vacina inativada
- produzida a patir do crescimento do SARS-CoV-2 em cultura celular e depois inativando quimicamente o vírus
- geralmente combinada com alumínio ou outro adjuvante pra estimular resposta imune
- a resposta imune a uma vacina inativada tem como alvo a proteína spike e vários outros componentes do vírus
- exemplos: CoronaVac (da Sinovac) e BBIBP-CorV (da Sinopharm)
vacina de vírus vivo atenuado
- produzidas a partir da produção de versões geneticamente enfraquecidas do vírus wild-type
- os vírus enfraquecidos se replicam em quem recebeu a vacina e geram uma resposta imune mas não causam doença
- a atenuação é feita através de modificação genética do vírus ou crescendo ele em condições adversas, pra que ele perca a virulência mas continue com imunogenicidade
- espera-se que estimule tanto resposta imune humoral quanto celular a vários componentes do vírus vivo atenuado
- pode ser administrada via intranasal, o que pode induzir resposta imune mucosa no local por onde o vírus entra no trato respiratório superior
- preocupações: reveresão ou recombinação para o vírus wild-type
- exemplos: em humanos ainda não
vacina com proteína recombinante
- composta de proteínas virais expressas por insetos, células de mamíferos, fungos ou plantas
- exemplo: NVX-CoV2373 (da Novavax) (expressa glicoproteína trimérica spike e tem um adjuvante potente Matrix-M1)
- observação sobre o que é essa Matrix-M1: Matrix-M™, an adjuvant based on saponin extracted from the Quillaja saponaria Molina tree induces high and long-lasting levels of broadly reacting antibodies supported by a balanced TH1 and TH2 type of response, including biologically active antibody isotypes such as murine IgG2a, multifunctional T cells and cytotoxic T lymphocytes. The mode-of-action of Matrix-M adjuvant has not been elucidated in detail; however, the adjuvant promotes rapid and profound effects on cellular drainage to local lymph nodes creating a milieu of activated cells including T cells, B cells, Natural Killer cells, neutrophils, monocytes and dendritic cells 🥵
vacina de vetor replicação-incompetente
- usa um vírus diferente como vetor, que expressa a proteína viral de interesse, mas que foi projetada para que o vírus vetor não se replique in vivo
- vetores usados: adenovirus, vaccinia Ankara modificada (MVA), vírus parainfluenza humano, influenza, vírus adeno-associado (AAV), vírus Sendai
- desvantagem: imunidade pré-existente ao vetor pode atenuar a imunogenicidade da vacina; isso pode ser evitado usando vírus incomuns em humanos, vírus derivados de vírus de outors animais (eg, adenovírus do chimpanzé), ou vírus que não causam auto-imunidade (AAV)
- exemplos:
- ChAdOx1 nCoV-19/AZD1222 (da Universidade de Oxford, AstraZeneca, e Serum Institute of India): usa como vetor o adenovírus do chimpanzé, incompetente para replicação, que expressa a proteína spike
- Ad26.COV2.S (da Janssen): usa como vetor o adenovírus 26, incompetente para replicação, que expressa a proteína spike estabilizada
- Ad5-based COVID-19 vaccine (da CanSino Biologics): usa como vetor o adenovírus 5, incompetente para replicação, que expressa a proteína spike
- Sputnik V (do Gamaleya Institute): usa como vetor 2 adenovírus, incompetentes para replicação, que expressam a glicoproteína spike
vacina de vetor replicação-competente
- usa um vírus diferente como vetor, que expressa a proteína viral de interessa, e esse vírus usado como vetor se replica no indivíduo vacinado
- resulta numa resposta imune mais robusta, desencadeia resposta imune inata
- exemplos: vacina que usa o vírus da vacina do sarampo, expressando a proteína spike; vetores baseados no vírus influenza; vetores baseados no vírus da estomativa vesicular (VSV); vetores baseados no vírus da doença de Newcastle (NDV)
vacina de vetor de vírus inativado
- usa um vírus inativado como vetor, projetado para expressar a proteína de interesse
- mais segura, porque o vírus não consegue se replicar, mesmo no hospedeiro imunocomprometido
vacina de DNA
- consistem de plasmídeos de DNA que contêm promoters de mamíferos e o gene de interesse, fazendo assim com que a proteína de interesse seja expressa no recipiente da vacina
- Escherichia coli pode produzir grande quantidade de plasmídeo de DNA estável, sendo vantajoso para produção
- baixa imunogenicidade e necessidade de equipamentos especiais para administração (como eletroporador)
- precisam alcançar o núcleo para serem transcritas em mRNA para que proteínas possam ser produzidas
vacina de RNA
- primeiras vacinas contra SARS-CoV-2 a serem produzidas
- RNA é traduzido para a proteína de interesse, que deve desencadear uma resposta imune
- o mRNA fica no citoplasma, não entra no núcleo, não interage nem se integra ao DNA do recipiente
- produzidas completamente in vitro
- algumas vacinas precisam ser mantidas em temperaturas extremamente baixas
- exemplos:
- BNT162b2 (da BioNTech e Pfizer): codifica para a proteína spike, administrada numa nanopartícula de lipídio
- mRNA 1273 (da Moderna): codifica para a proteína spike, administrada numa nanopartícula de lipídio
RCTs em fase tardia das vacinas mencionadas
quais desfechos primários relevantes?
- Covid-19 sintomática microbiologicamente confirmada
- Covid-19 grave
qual eficácia deve ter a vacina?
- segundo FDA e OMS, pelo menos 50%, com margem inferior do 95% CI de 30% https://www.fda.gov/media/139638/download https://www.who.int/publications/m/item/who-target-product-profiles-for-covid-19-vaccines
quanto tempo para avaliar eficácia em um RCT?
- estima-se seguimento de 6 meses para estudo com >30.000 participantes (divididos igualmente entre controle e vacina)
- mas depende da taxa de infecção no grupo controle
CoronaVac (da Sinovac) (intramuscular em 2 doses separadas por 28 dias)
- vacina inativada
- eficácia de 78% segundo divulgação do instituto Butantan (12.476 participantes, 220 infectados no grupo controle e 60 no que recebeu a vacina) -- sem detalhamento de dados
- sem dados de RCT de fase III publicados em revistas científicas
BBIBP-CorV (da Sinopharm) (intramuscular em 2 doses separadas por 28 dias)
- vacina inativada
- eficácia de 86% segundo análise interina de ensaio clínico de fase III divulgada pelo ministério da saúde dos EAU
- sem dados de RCT de fase III publicados em revistas científicas
- acho que significa Beijing Institute of Biological Product’s inactivated COVID-19 vaccine
NVX-CoV2373 (da Novavax) (intramuscular em 2 doses separadas por 21 dias)
- vacina recombinante, contendo adjuvante Matrix-M1 e glicoproteína spike wild-type (incluindo domínio transmembrana)
- sem dados de RCT de fase III publicados em revistas científicas
ChAdOx1 nCoV-19/AZD1222 (da Universidade de Oxford, AstraZeneca, e Serum Institute of India) (intramuscular em 1 ou 2 doses separadas por 28 dias)
- usa como vetor o adenovírus do chimpanzé, incompetente para replicação, que expressa a proteína spike
- acho que significa Chimpanzee Adenovirus Oxford novel Coronavirus 2019 vaccine, algo assim
- análise interina de 4 RCT de fase III https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)32661-1
- 11.636 participantes na análise interina:
- desfecho primário: Covid-19 sintomático virologicamente confirmado
- controle: vacina meningocócica conjugada do grupo A, C, W, e Y ou salina
- doença em 3 de 1367 (0.2%) do grupo que recebeu dose baixa seguida de dose padrão vs 30 de 1374 (2.2%) do grupo controle; eficácia de 90% (95% CI 67.4 - 97)
- doença em 27 de 4440 (0.6%) do grupo que recebou 2 doses padrão vs 71 de 4455 (1.6%) do grupo controle; eficácia de 62.1% (95% CI 41 - 75.7)
- razões para essa diferença são desconhecidas
- 84 eventos graves no grupo ChAdOx1 nCoV-19 vs 91 no grupo controle
- 2 casos de mielite transversa no grupo ChAdOx1 nCoV-19
Ad26.COV2.S (da Janssen) (intramuscular, dose única)
- usa como vetor o adenovírus 26, incompetente para replicação, que expressa a proteína spike estabilizada
- sem dados de RCT de fase III publicados em revistas científicas
Ad5-based COVID-19 vaccine (da CanSino Biologics) (intramuscular, dose única)
- usa como vetor o adenovírus 5, incompetente para replicação, que expressa a proteína spike
- sem dados de RCT de fase III publicados em revistas científicas
- estudos prévios de candidatos de vacina contra HIV com adenovírus 5 como vetor identificaram um risco aumentado para infecção por HIV entre homens circuncidados e soropositivos para adenovirus 5 antes de serem vacinados https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)32156-5
Sputnik V (do Gamaleya Institute) (intramuscular em 2 doses separadas por 28 dias)
- dose inicial usa como vetor o adenovirus 26 e a segunda dose usa como vetor o adenovírus 5
- usa como vetor 2 adenovírus, incompetentes para replicação, que expressam a glicoproteína spike (incluindo domínio transmembrana)
- sem dados de RCT de fase III publicados em revistas científicas
- aprovada na Rússia com eficácia relatada de 91.4% e questionável, pois foi baseada em apenas 39 casos https://sputnikvaccine.com/newsroom/pressreleases/second-interim-analysis-of-clinical-trial-data-showed-a-91-4-efficacy-for-the-sputnik-v-vaccine-on-d/
BNT162b2 (da BioNTech e Pfizer) (intramuscular em 2 doses separadas por 21 dias)
- vacina de RNA, codifica para a proteína spike (incluindo domínio transmembrana, mas modificada para incluir dois resíduos de prolina para que permaneça na conformação de pré-fusão), administrada numa nanopartícula de lipídio
- ensaio de fase 2/3 https://doi.org/10.1056/NEJMoa2034577
- placebo: salina
- primeiro desfecho primário: Covid-19 sintomático, virologicamente confirmado com início pelo menos 7 dias após a segunda dose em participantes que não apresentavam evidência virológica ou sorológica de infecção pelo SARS-CoV-2 até 7 dias da segunda dose
- segundo desfecho primário: eficácia em participantes com e em participantes sem evidência de infecção prévia
- 43.448 participantes receberam injeções
- em pacientes sem evidência de infecção: Covid-19 em 8 de 18.198 (0.04%) no grupo da vacina vs 162 de 18.325 (0.88%) no grupo controle; eficácia de 95%, com intervalo de credibilidade de 95% de 90.3 - 97.6
- em pacientes com e sem evidência de infecção: Covid-19 em 9 de 19.965 (0.05%) no grupo da vacina vs 169 de 20.172 (0.84%) no grupo controle
- Covid-19 grave em 1 de 21.669 (0.005%) no grupo da vacina vs 9 de 21686 (0.04%) no grupo controle