Todos os caminhos fornecerão chocolates

Quando a vida aparece com uma bela caixa de chocolates
O sorriso guloso pretende a todos provar
Mas qual o custo dessa indigestão?

Viver um dia intenso
Como se fosse o último
E, talvez, pela avidez em saborear
Concretizar a profecia

Vê-los consumir em um lampejo
Perder logo o prazer das papilas
E se encontrar no chão, com a barriga inchada
Com a caixa solta e estéril
Repleta de papeis parcialmente manchados
Que contam a história do festim
Um divertir que dispensa a nutrição

Gostos que se misturam
Diluem a contemplação

Ah, que venha a diabetes!
Grita quem esquece o anjo
E segue na contramão

Na variedade de doces finos
Há quem opte pelo lento queimar
Saborear enquanto respira
Sem deixar-se matar

A arte de dominar o não
E a recompensa em se preservar
Pode ser nobreza
Ou apenas mesquinharia

Quem conhece apenas o doce,
Afogado em eterna hedonia,
Não aprende a atravessar
Os amargos da sinfonia


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