Terapia de Casal

Como ver um casamento a ir pelo ralo...

Um dos elementos do casal de repente decide começar a sair mais do que o normal com os amigos/as – “Beber copos com os amigos/as” ou “ir com os/as amigos/as a algum lado”. Começa a estar mais vezes indisponível para a/o companheira/o, desculpa-se de não poder atender certas chamadas...

Um dos elementos do casal vive obcecado com a imagem, com o que os outros pensam dele/dela. Torna-se até doloroso ver alguém a fingir tanta confiança.

Um dos elementos do casal permite-se a mandar comentários sobre o corpo de outras pessoas do sexo oposto e faz aquele sorriso de lambão como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. Para além disto, opina sobre o próprio corpo e pior, tentar mudar/influenciar o corpo do/da seu/sua companheiro/a.

As pessoas devem respeitar a liberdade de quem gostam/amam, mas não são inteligentes se acreditarem que nunca serão traídas. Muitas traições vistas em retrospetiva já apresentavam algumas bandeiras vermelhas antes de acontecerem. Opta-se por não falar desses “alertas” por causa de uma crença estúpida de que nunca vai acontecer nada de maior, ou neste caso, algo pior...

A não ser que sejam outras as regras definidas desde o início da
relação, em princípio há um compromisso de fidelidade. Posto isto,
traição é traição. O amor, o casamento, etc. não mudam propriamente uma
pessoa. Traidores vão sempre encontrar uma forma de enganar e têm sempre
uma desculpa para o seu comportamento.

Em certos casos toma-se a decisão de ficar ao lado de alguém que já não nos preenche, só porque achamos que essa mesma pessoa “precisa” de nós...

Não somos responsáveis pelos os outros, não lhes devemos nada. Se já não estamos felizes, devemos sair da relação – seja ela qual for. Eventualmente até se pode ficar como amigo/a para dar apoio em alguma situação mais complicada, isto se realmente valer o nosso precioso tempo, mas o melhor é não gastar nem um minuto a mais com uma relação que já não carrega qualquer sentido.

Qualquer terapeuta de casal dirá o mesmo, o objetivo de uma intervenção/consulta é sempre identificar o melhor que for para o casal, e em muitos casos isto passa por perceber que este tem objetivos e valores diferentes e por isso a solução é a dissolução do casamento de forma mais graciosa possível.

Nos relacionamentos como em quase tudo o resto, tendemos a privilegiar o conforto em prol da verdade.

Sentir obrigação de ficar no relacionamento pelo simples facto de que já se investiu muito tempo ou porque existe qualquer pressão social para continuar tudo como está.


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