Inconsistência

Aqui vai mais um caso de inconsistência cognitiva, dentre muitos que temos por ae.

Esse caso começa na hora de dizer que tenho medo de perder uma grande companheira ao terminar um relacionamento onde não estou me sentindo muito conectado, ou onde houve uma redução drástica do interesse na parceira.

Mas como é possível não se interessar por uma grande companheira?

Será que ela é uma companheira tão grande assim? Se ela fosse, você com certeza estaria muito mais empolgado, e correria atrás sem dúvida nenhuma.

Seria possível então que o título dela de grande companheira tenha outro(s) motivo(s)?

Pode ser puro interesse em não da sua parte em não estar só, e usar a pessoa para fugir da solidão ou do tédio. Nesse caso, coitado de você meu amigo, você é um bosta.

Apesar de poder ser um elemento motivador, ficar só não é uma boa justificativa. Não tenho esse medo, às vezes tenho até vontade de estar só. Passar tempo de qualidade consigo é muito saudável, na real.

Acredito que o meu caso é mais medo de ser rejeitado ou reprovado por ser o que sou. Assim, fico com medo de me expressar de forma transparente, e acabo cedendo à pressões externas de valores aprendidos, onde eu temo ser honesto sobre não estar tão afim quanto eu "deveria", dado que a parceira atende a requisitos de qualidade relativamente altos.

Acho que o medo é esse mesmo, de enfurecer a pessoa por eu não estar suficientemente afim.

Tá, mas medo de mostrar a cara? Porquê?

Que imagem seria esta q tento manter?
Que máscara é essa que não quero deixar cair?
E o faço a troco de quê?

Basicamente, por medo de perder uma boa oportunidade. Isso parece indicar um simples "interesse comercial" na pessoa que está ao meu lado, algo q também não é nada louvável. Isso parece bastante com falta de amor ao próximo. Mas isso podem ser também somente traços da personalidade

Considere por um instante a possibilidade disso ser somente uma expressão do ego.

Talvez essa repulsão pela idéia de usar o outro seja justamente o nojo que se sente desse pedaço de si. É sim algo abominável, e qualquer um temeria ser julgado por coisa tão horrível.

Mas pode de fato ser a verdade sobre nossos desejos e sentimentos. E não há nada de errado nisso. O melhor a se fazer é aceitar que temos isso por dentro, perdoar a nós mesmos, e aprender essa lição da melhor forma que pudermos.

Tem a quantidade de tempo que é legal passar junto, e também a quantidade de coisas que eu gostaria de fazer com ela, mas que ela não necessariamente gostaria de fazer comigo.

Isso também ocorre do outro lado, existem várias coisas que ela gosta de fazer e com ctza apreciaria se eu me juntasse a ela e fizesse companhia. Mas eu não sou afim de fazer, então não participo. E ela me deixa viver no meu espaço, mesmo sem compartilharmos um com o outro esses pedaços de nós. E também não há nada de errado nisso. Está tudo bem.

É importante que cada um se sinta bem fazendo o que gosta, e não crie dependência do outro.

Por exemplo, o que me impede de curtir e fazer sozinho as coisas que gosto?

Se a imagem da companheira contém algum tipo de dever moral a ela associado, então a idéia de companhia está mal definida. Acompanhar o outro deve ser um ato de livre vontade da pessoa que acompanha. E eu em geral sempre me senti obrigado a acompanhar, como se eu estivesse seguindo ordens de alguma autoridade. Muito provavelmente de algum moralismo ou dogmatismo social (ou até mesmo familiar - esse senso de honra e bom comportamento que eu aprendi..). Sempre esperei o mesmo (e em geral secretamente) da pessoa que está ao meu lado.

Hoje em dia percebo que os conceitos de acompanhar e fazer companhia são consideravelmente diferentes. Você pode acompanhar as pessoas que produzem conteúdo, por exemplo, e isso não faz de vc uma companhia. Você pode ser diversas coisas na vida das pessoas: um ouvinte, um telespectador, etc. Nem todas essas opções vão alegrar a pessoa.

Por isso faz sentido encontrar a sua própria luz e brilhar, independe de ter alguém por perto para ver ou até mesmo se beneficiar da sua luz.


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