la radio en la rambla

a grande fuga

partiremos sem deixar lembranças
ficarão as dívidas e os lucros

esqueceremos esse tempo
não por desgosto
mas por necessidade

brindaremos por outros filmes, outras pessoas
talvez alguma cena rara ainda reste na memória

lapsos de felicidade em meio a um vale
que consome gente, lixo e entulho

tudo bem, é preciso viver
é preciso correr
existem muitas armadilhas (já dizia ferreira gullar)

nota 35 (tesouro)

nunca foi sorte
no fundo tudo é uma questão de olhar
mergulho profundo
pequenas e constantes expedições

nunca foi eu
nunca foi tu

é vida que segue (ou não)

a gente só está ficando velho
ignorando o teto, a testa e o tempo

deixando o importante para fora
não agora

a gente só está perdendo tempo
que tempo? que gente? que manha!

talvez acontença alguma coisa
um sonho ou um pesadelo

não importa
a gente só está ficando velho

sábado, meio dia

A água que deveria lavar parecia choro de santa
jorrando pelas calçadas
Iemanjá nos seus melhores dias

Trecos, tralhas e um fone de ouvido velho (ele levava consigo)
tentando escutar o que ninguém dizia

Resignado com a doença
andava pálido e aturdido de sentido
profeta de um bairro e de ruas que não existem mais

sábado, meio dia!

notas aleatórias

inteligência de verdade

  • entender contexto
  • perguntas > respostas

salvar os mundos

  • melhorar atmosferas
  • evitar somente os mesmos em volta da mesa

pensar no todo

  • acalmar para seguir
  • criar

um pouco de rhodes nessa vida

Uma lista de músicas para curtir e deixar as malas vibras passar.

des (colonizar)

Alguns meses atrás, descobri o Roda Vida de um geógrafo brasileiro chamado Milton Santos. Depois de estudar um pouco, fiquei encantado. Compartilho aqui alguns recursos que me ajudaram a entender a importância desse homem:

guerra da rua, guerra da alma

domingo de sol

grandes esquemas ou roubos de banco
a fuga da terra em tempo real

nada disso me faz a cabeça
aqui no chão, seguimos sem respirar
presos a máquinas e homens

os deuses foram embora e nos deixaram os mortos para contar

pan de mia (demente sangria)

uma crise em cada esquina
nervos de aço
mensagens para garantir o ar

música para camaleones

cursos

vídeos

livros

zero k

capa do livro

Um livro sobre morrer e viver. Ficção quase científica do autor americano Don Delillo, lançada em 2017 no Brasil. Uma reflexão sobre questões que nos perseguem desde sempre como espécie humana. Vida após a morte, o meio ambiente e as guerras. Qual é o limite do meu mundo? Como eu defino o meu ou o teu mundo quando nada é o que parece ser? Uma ótima história com temas atuais e prementes. Não é apenas uma história, mas um livro dos nossos dias.

Leitura recomendada.

Para ir mais fundo:

#eu_não

Lendo sobre duas cabeças, dois pensadores, que pareciam querer se achar na coletividade: Gilles Deleuze e Félix Guattari.

Leituras e música:

passando a limpo

calor, tarde, um dia qualquer
te lembra quando éramos jovens?

conversa franca, uma flor/uma planta que cresce e morre

meses, aniversários, mudanças e papéis pela janela
o carteiro talvez apareça

tu traz um anjo nos braços, como diz uma velha canção/azul profundo

poesia
ah, se eu tivesse como voltar

o que foi, o que é e o que será?

joni mitchell, 80s

capa do álbum

Minha experiência com a música da Joni Mitchell tem sido inspiradora. Irei escrever sobre um álbum talvez pouco conhecido dela, chamado Wild Things Run Fast e lançado em 1982. Detalhes técnicos podem ser encontrados aqui.

1982, guerra das Malvinas, o mercado e as tecnologias prometiam salvar nosso mundo cristão e ocidental. Duas Alemanhas, duas Coréias, supostamente a última colônia africana deixava de existir e o Brasil começava acordar de um sonho ruim.

Joni Mitchell estava atenta. Esse álbum abandona os experimentos do jazz e pisa fundo em um mundo de guitarras quase pop e efeitos tão comuns nos arranjos da época. Os acordes geniais de Joni e as texturas belíssimas ainda estão lá. Na realidade, parece que a compositora sabia que a década que viria seria estranha e uma nova maneira de se comunicar com o público seria necessária.

O amor é o principal tema do álbum, entrelaçado com canções sobre o feminismo e as relações humanas. A voz de Joni já não é a mesma de Blue, mas as letras sempre inspiradas e precisas seguem firme, dando ao álbum um tom confessional e direto.

Músicas sugeridas: Chinese Cafe/Unchained Melody, Be Cool e You Dream Flat Tires.

pouca habilidade para manejar

gaucho no campo

há sempre um momento de perder as estribeiras
deixar o campo correr solto
matear com gosto
e pensar em tudo que passou

escrito em abril de 2015